sábado, 1 de fevereiro de 2025

Eleição à Presidência da Câmara e do Senado: O PT Agradece o Apoio da “Direita”


Hoje, mais uma vez, a política brasileira nos presenteia com um espetáculo de incoerência. A eleição para a presidência do Senado e da Câmara ocorre sob os olhares atentos de um povo que já está acostumado a traições políticas, mas que, de alguma forma, ainda consegue se indignar. O grande protagonista da polêmica é Jair Bolsonaro e seu inexplicável apoio a Davi Alcolumbre, um dos artífices de sua fragilização política durante o governo.

Como explicar a "estratégia" da liderança da "direita" brasileira em um momento em que a resistência contra o autoritarismo está em sua fase mais frágil, apoiando justamente aqueles que ajudaram a pavimentar esse caminho? Alcolumbre foi fundamental para barrar o impeachment de ministros do STF, mantendo intacta a estrutura que hoje age contra a liberdade de expressão e persegue opositores do regime atual. Agora, não apenas recebe apoio de Bolsonaro, como também está alinhado com o PT em diversas pautas, consolidando um bloco de conveniência e sobrevida política.

A contradição não para por aí. Hugo Motta, candidato apoiado por Arthur Lira para a presidência da Câmara, segue a mesma cartilha. Motta tem um histórico de alinhamento com o PT e outros setores da esquerda em votações cruciais, demonstrando que, no fim das contas, o discurso de oposição à esquerda é apenas uma ilusão conveniente. A realidade é que tanto no Senado quanto na Câmara, a prioridade de Bolsonaro e seus aliados parece ser a sobrevivência política e a proteção pessoal, e não a defesa do conservadorismo ou o combate ao autoritarismo.

Pró STF

Alcolumbre, no comando do Senado, ignorou os pedidos de impeachment contra ministros do STF, enterrando qualquer tentativa de conter os abusos que hoje corroem a liberdade e a justiça no Brasil. Além disso, ajudou a viabilizar a derrubada do veto ao "fundão eleitoral", inflando os cofres de campanhas com dinheiro do contribuinte enquanto Bolsonaro tentava, ao menos publicamente, barrar esse descalabro.

Dificultou a Reforma

A reforma tributária também foi palco de embates entre Bolsonaro e Alcolumbre, com este atuando como um dos grandes entraves para avanços que o governo dizia querer implementar. Mas, ao que parece, quando os interesses políticos falam mais alto, as divergências são jogadas para debaixo do tapete, e alianças antes impensáveis se tornam convenientes.

Em nome do Brasil ou causa própria?

Alcolumbre ainda tem processos na justiça, uns engavetados, outros arquivados e alguns em andamento. Nos corredores do poder, alguns dizem que são esses processos que "ameaçam e influenciam as decisões no judiciário". O apoio de Bolsonaro ao seu "carrasco" fala mais sobre os problemas particulares do ex-presidente, na tentativa de garantir um aliado como escudo pessoal, do que sobre qualquer intenção de contribuir para o fim do autoritarismo no Brasil.

A situação na Câmara dos Deputados não é diferente. O candidato de Arthur Lira segue a mesma lógica de conveniência e interesses obscuros. Lira, que controla com mão de ferro o centrão, também se beneficia de um sistema onde alianças são feitas para garantir poder e proteção. A sucessão na Câmara reforça a dinâmica de um Congresso que opera não para a população, mas para manter intocáveis aqueles que estão no controle.

O apoio de Bolsonaro a Alcolumbre e ao candidato de Lira, Hugo Motta é um reflexo claro da natureza cíclica da política brasileira: inimigos de ontem se tornam aliados de hoje, desde que isso sirva a uma estratégia momentânea. Essas alianças têm custado caro ao Brasil. Mais uma vez, a base conservadora é levada a engolir sapos em nome de um "xadrez 4D" que insiste em colocar o próprio povo no papel de peão descartável.

Por: Daniel Camilo


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